Estudo do Observatório da Indústria, da FIEB, aponta impacto gerado pelo equipamento a partir dos gastos de visitantes e dos negócios associados aos eventos realizados em Salvador
Salvador movimentou R$ 2,09 bilhões na economia entre 2020 e 2026 a partir das atividades realizadas no Centro de Convenções de Salvador (CCS). O resultado, calculado pelo Observatório da Indústria, núcleo de análise de dados da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), considera o impacto do consumo dos visitantes e dos negócios gerados pelos eventos realizados no equipamento.
O número ganha ainda mais relevância quando se considera a trajetória do equipamento. Inaugurado em 2020, o novo Centro de Convenções devolveu a Salvador a capacidade de receber grandes congressos, feiras, convenções, eventos esportivos e culturais depois de um período sem um equipamento dessa dimensão. E começou sua operação justamente em um dos momentos mais adversos para o setor: a pandemia de Covid-19, que restringiu a realização de eventos e a circulação de pessoas nos primeiros anos.
Mesmo diante desse cenário, o CCS recebeu 1,5 milhão de visitantes e 476 eventos entre 2020 e 2025. Para 2026, estão previstos mais de 60 eventos e cerca de 600 mil visitantes. Ao final do ano, a estimativa é chegar a 2,1 milhões de visitantes acumulados.
Quando eventos movimentam uma cidade
O impacto de um centro de convenções não se limita ao que acontece dentro de seus pavilhões. Quem chega para um congresso se hospeda, utiliza transporte, frequenta restaurantes, visita estabelecimentos comerciais e consome serviços. Empresas que participam de feiras e encontros de negócios também geram novas oportunidades comerciais.
É esse movimento que está por trás de parte expressiva dos resultados. O estudo estima em R$ 928,2 milhões a riqueza gerada pelo consumo associado aos visitantes entre 2020 e 2026. A isso se somam R$ 1,43 bilhão em negócios B2B estimados, oriundos dos principais eventos realizados no período.
Na análise, o Observatório identificou que, em 2025, os visitantes do CCS representaram cerca de 14% dos passageiros desembarcados no aeroporto de Salvador, evidenciando a capacidade do equipamento de atrair pessoas de outras cidades e estados para a capital baiana.
O retorno não é apenas econômico – A presença de um equipamento desse porte permite que Salvador receba, na própria cidade, grandes encontros profissionais, feiras, competições, manifestações culturais e eventos de diferentes segmentos. É conhecimento, negócios, esporte e cultura mais próximos de quem vive aqui, além de novas experiências para quem chega.
Uma concessão que combina gestão e interesse público
O resultado também evidencia o papel da concessão como modelo para a operação de equipamentos públicos. No caso do CCS, a gestão está sob responsabilidade da GL events, grupo com experiência na operação de espaços e na realização de grandes eventos.
A experiência demonstra que uma infraestrutura de qualidade precisa estar acompanhada de uma gestão capaz de atrair eventos, compreender o mercado e manter o equipamento competitivo ao longo do tempo. E, em uma concessão, a atuação do poder público continua fundamental: cabe ao Município, através da secretaria (no caso a Secult), acompanhar a execução do contrato, fiscalizar as obrigações assumidas e assegurar que o ativo continue cumprindo sua função para a cidade.
O modelo também permite que o concessionário assuma responsabilidades relacionadas à operação, manutenção e aos investimentos previstos ao longo da concessão, além do pagamento das outorgas estabelecidas contratualmente, sobretudo a que remunera o município pelo resultado do negócio.
Assim, o patrimônio permanece associado ao interesse público, enquanto a gestão especializada contribui para manter o equipamento ativo, atualizado e capaz de acompanhar as transformações do mercado.
Um resultado que aponta para o futuro
Os R$ 2,09 bilhões estimados pelo Observatório da Indústria representam o resultado financeiro mas, principalmente, ajudam a dimensionar o efeito que uma infraestrutura de eventos pode produzir quando se conecta a uma gestão profissional, à atuação do poder público e à vocação de uma cidade.
E o movimento continua. Somente em 2026, a projeção é de 600 mil visitantes, com R$ 265,2 milhões em riqueza induzida pela atividade do equipamento.
Para Salvador, significa manter a cidade conectada a grandes eventos, negócios e experiências, gerando atividade econômica, emprego, renda, atraindo visitantes e ampliando as oportunidades que acontecem aqui, dentro da própria cidade.




