O papel das PPPs e concessões no desenvolvimento econômico é destaque no Summit Made in Bahia 2025

Evento reuniu mais de 100 marcas e promoveu debates sobre indústria, turismo, crédito e inovação no Centro de Convenções de Salvador

O Summit de Negócios Made in Bahia 2025, realizado nos dias 5 e 6 de novembro, foi marcado por debates sobre indústria, turismo, crédito e desenvolvimento econômico, reunindo lideranças empresariais e gestores públicos no Centro de Convenções de Salvador. Com 105 marcas participantes e 70 estandes, o evento surpreendeu pela estrutura e diversidade de temas, atraindo um público amplo e interessado em inovação, investimentos e políticas de fomento ao crescimento do estado.

Entre os espaços mais visitados estavam a Cozinha Experimental, o Lounge de Vinhos, o Café Latitude e a Arena Invest — uma das grandes novidades desta edição, criada para promover debates setoriais com executivos e especialistas que vêm transformando o cenário econômico baiano.

Prefeito destaca ambiente favorável a novos investimentos

A abertura oficial do evento contou com a presença do prefeito de Salvador, Bruno Reis, que destacou o papel da capital baiana como protagonista no desenvolvimento econômico do estado e ressaltou o esforço da gestão em criar um ambiente cada vez mais favorável aos negócios.

“O Summit reúne todo o setor produtivo e empresarial da nossa cidade e do estado. É um espaço de troca de experiências e de análise das tendências do mercado. Ao final desses dois dias, o empresário sai daqui com mais disposição, coragem e vontade de investir”, afirmou o gestor.
A programação também contou com a palestra do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, que abordou o tema “A indústria baiana no cenário econômico do Brasil”, com uma análise ampla sobre os desafios e potencialidades do setor produtivo na região.

 

SalvadorPAR reforça importância das PPPs e concessões

No painel sobre crédito e políticas públicas para o desenvolvimento, representantes do Banco do Nordeste, SalvadorPAR, Deloitte e Business Bahia debateram o papel do crédito e do mercado de capitais no crescimento econômico da Bahia.

A diretora de Operações da SalvadorPAR, Denise Castro, destacou a importância de o município ter criado uma empresa dedicada à estruturação de projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões, reforçando a confiança do mercado investidor. “O mercado precisa de projetos com alto nível de confiabilidade e estruturação adequada para que os bancos possam liberar recursos com segurança. A SalvadorPAR foi criada justamente para dar esse suporte às secretarias municipais, analisando as propostas e garantindo a viabilidade econômica, financeira, técnica e jurídica dos projetos”, explicou Denise.

 

Incentivos fiscais e fomento ao desenvolvimento

Outro destaque foi o painel sobre a atuação dos governos estadual e municipal como indutores do desenvolvimento, com participação de Ângelo Almeida (SDE), Mila Paes (SEMDEC) e Ricardo Gois (Prefeitura de Lauro de Freitas).

Em entrevista ao A Tarde, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda de Salvador, Mila Paes, destacou o Programa Renova Centro, iniciativa da Prefeitura que oferece incentivos fiscais e tributários para empresas que se instalem no Centro Histórico de Salvador. “O programa inclui a devolução de até 50% do valor investido em reformas e requalificação de imóveis, isenção de IPTU por 10 anos e redução do ISS para 2%. É uma política que une desenvolvimento econômico e reocupação do Centro Histórico”, afirmou Mila.

 

Arena Invest reúne nomes do entretenimento e da inovação

O primeiro dia do Summit teve como destaque a Arena Invest, que apresentou um painel sobre entretenimento, mediado pelo diretor-presidente da SalvadorPAR, Marcos Lessa.

O debate contou com a participação de Duda Magalhães, João Marcello Barreto, Rafael Lazarini e Milena Palumbo, que discutiram o potencial de Salvador como destino de grandes eventos e projetos culturais.

“Salvador é naturalmente um polo cultural, e isso é um diferencial competitivo. Todo mundo quer uma desculpa para vir à cidade, assim como acontece no Rio de Janeiro, e esse é um ativo que precisa ser potencializado”, destacou Duda Magalhães, presidente da Dream Factory, produtora responsável por eventos como o Rock in Rio e a Maratona do Rio.

Os painelistas também ressaltaram o avanço da capital baiana na capacidade de dialogar com o setor privado, impulsionado pela criação da SalvadorPAR, que tem atuado como ponte entre o poder público e os investidores.

Milena Palumbo reforçou a estratégia da GL Events em todos os locais que atual no mundo. “Primeiro a gente vende o destino, depois o produto (espaço)”, disse se referindo às negociações de grandes produções para o Centro de Convenções, que ela começa destacando as vantagens de Salvador em relação à beleza, turismo, hotelaria, cultura… e, só depois, entra com as informações sobre o que oferece especificamente no espaço. “Concessionar é um diferencial dos destinos. Salvador está no momento de conseguir estruturar a demanda do mercado hoteleiro, fornecendo um calendário anual atrativo, com conteúdo relevante”, conclui.

Já Rafael Lazarini sinaliza que não adianta ter conteúdo sem infraestrutura: “A Arena Multiuso vem para transformar o perfil de eventos na cidade, porque algumas turnês internacionais já são pensadas para espaços indoor e ter uma estrutura dessa, pensada desde a concepção para música vai colocar Salvador no radar destes eventos”.

Para João Marcello, CEO da Orla Brasil, concessionária responsável pela operação e manutenção dos quiosques e postos de salvamento nas praias do Rio de Janeiro e agora também dos 3,5 km da orla soteropolitana concedidos da Boca do Rio até Pituaçu, estar à frente de um projeto tão importante quanto à orla de Salvador é um desafio, mas que o fato de já terem vivido situações semelhantes nas praias cariocas, dá a certeza de que o trabalho será um marco para a cidade. “Estamos fazendo tudo olhando para a comunidade, porque eles é que usam o local e, consequentemente, vai vir turista”, disse, se referindo às estratégias de operação nas praias de Pituaçu e Boa do Rio, que terão ações personalizadas, respeitando o hábito dos moradores em cada região. Ele garantiu que a operação inicia no próximo dia 15 (de novembro), já com alguns quiosques e tendas de praia.

 

Agronegócio e Mineração foram destaque no segundo dia de Arena Invest

O painel “Bahia Competitiva: Segurança jurídica e infraestrutura como pilares para transformar o agronegócio e a mineração em motores  da nova indústria de base baiana” reuniu Marcos Lessa, diretor-presidente da SalvadorPAR, Guilherme Moura, vice-presidente da FAEB, Roberto Oliva., presidente do conselho da Intermarítima, Kiran Morzaria, investidor e CEO da Cadence Mirenals, e teve mediação de Washington Pimentel Jr, presidente do instituto WP.

O debate abordou proposições e agendas estratégicas como mitigação de riscos, infraestrutura competitiva e segurança para investidores. Guilherme Moura destacou que agro é extremamente relevante para a economia e para a exportação do nosso estado. Também afirmou que temos uma diversidade produtiva ímpar, além de termos também uma matriz energética muito limpa e, apesar dos esforços neste sentido, o setor é muito estigmatizado. “O Brasil é líder em tecnologia sustentável no agro e o segmento já superou as metas do Acordo de Paris, algo que quase nenhum outro país cumpriu. Não é a toa que a COP30 acontece aqui”, enfatizou. Para ele, um dos principais entraves do agro é a infraestrutura logística do estado, carente de manutenção e ampliação nas rodovias. Citou ainda o estado de sucateamento das ferrovias e a má qualidade energética oferecida no campo.

Roberto Oliva concorda e ressalta a importância de fazermos uma reflexão, pois acredita que “política é elencar prioridades” e o gargalo logístico que existe aqui precisa ser resolvido através de políticas públicas que efetivamente enfrente estes problemas. “Fora a burocracia do mercado portuário que é muito maior aqui do que em outros estados”, completa.

Kiran Morzaria, investidor no segmento de mineração em muitas partes do mundo, destacou que a Bahia tem um ambiente grande e diverso, com geologia forte e rica, mas que na visão dele de empresário, precisamos ter olhar atento à infraestrutura e ao Marco Legal, para dar a segurança jurídica necessária para quem vem fazer negócios. Ele cita que na Austrália as concessões contribuíram para oferecer segurança jurídica, o que transformou o país, com um relevante impacto no PIB e em engajamento da comunidade. “Como investidor, ter o risco mensurado é mais fácil para prever retorno”, disse. Afinal, a confiança institucional é fator importante também por conta dos licenciamentos necessários. “Se for muito complexo e não tão transparente, sem prazos claros, prejudica o processo”, conclui.

Já Marcos Lessa apresentou inciativas que a gestão municipal tem trabalhado para melhorar este cenário, transformando a percepção sobre o ambiente de negócios na cidade. “Precisamos enxergar as oportunidades para atrair investimentos e assumimos o compromisso com a atividade logística municipal”, afirmou. Ele conta que a SalvadorPAR tem atuado na estruturação de incentivos fiscais para reinserir a cidade no desenvolvimento logístico e, assim, estimular o setor privado para trazer investimentos. “Além de promover incentivos públicos, estamos descobrindo novas áreas e dialogando com o setor privado, com órgãos estaduais e federais”, disse. O Polo Logistico de Valéria, com mais de 40 mil metros quadrados de área foi citado como um projeto em estudo para se transformar em Complexo Logístico, Industrial e de Serviços. A área é dotada de Terminal Rodoferroviário, retroporto para o Porto de Salvador, além de integração física e funcional com os Terminais de Cotegipe e Marítimo de Granéis. A proposta é que seja destinado a Terminais Logísticos, Centros de Distribuição, Estações Aduaneiras, Empresas Atacadistas e Empresas de Transportes.

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